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Pesquisa | Brasil

O Brasil lê inglês melhor do que fala: os 52 pontos que separam as duas coisas

Quase todo brasileiro que estudou inglês reconhece a sensação: você entende o e-mail, entende a série, entende a documentação técnica, e trava na hora de responder. Isso não é uma impressão pessoal. É a forma exata do dado nacional, e dá para medir em pontos.

SpeakBase Pesquisa | 26 de agosto de 2026 | Leitura: 6 minutos
52pontos entre leitura e fala
75posição entre 123 países
5,1%dos brasileiros 16+ dizem saber algo de inglês

Onde o Brasil está no mapa

No EF EPI 2025, o Brasil marca 482 pontos e ocupa a 75a posição entre 123 países, na faixa que o índice chama de proficiência baixa. A média mundial é 488, então o país está logo abaixo dela. Na América Latina, o Brasil aparece em 16o lugar entre os 20 países da tabela regional, logo abaixo do Panamá (491) e logo acima da Colômbia (480), e bem distante da Argentina, que lidera a região com 575.

Há uma boa notícia no meio disso: 482 representa uma alta de 16 pontos sobre a edição anterior, que foi de 466. O país está melhorando. O que não mudou é a forma dessa proficiência.

Pontuação de inglês, Brasil e vizinhos

EF EPI 2025 | quanto maior a pontuação, melhor o nível
Argentina575Média mundial488Brasil482Colômbia480México440

A forma do problema: entender é fácil, produzir é que não

Quando a nota nacional é aberta por habilidade, o desenho fica claro. Leitura 516, escuta 468, fala 464 e escrita 442. A leitura é a única habilidade em que o Brasil fica acima da média mundial, e a distância entre ela e a fala é de 52 pontos.

Pontuação do Brasil por habilidade

EF EPI 2025
Leitura516Escuta468Fala464Escrita442
Leitura 516 contra fala 464. O inglês do brasileiro entra bem e sai mal.

O próprio EF publica esse recorte de um jeito ainda mais direto. Em uma tabela chamada "impacto de incluir as habilidades produtivas", o índice mostra quanto cada país valeria se fossem contadas apenas as habilidades receptivas, ou seja, leitura e escuta. O Brasil marca 492 nessa conta. Somando fala e escrita, cai para 482. Dez pontos de queda, que é exatamente o preço da produção.

Medido só pelo que consegue entender, o Brasil fica acima da média mundial. Medido também pelo que consegue produzir, fica abaixo. O país inteiro cabe nessa diferença de dez pontos.

Quantos brasileiros realmente sabem inglês

O levantamento de referência continua sendo o do British Council com o Instituto Data Popular, publicado em 2014 com campo em 2013. Ele encontrou que 5,1% da população de 16 anos ou mais afirma ter algum conhecimento de inglês, e 10,3% entre os jovens de 18 a 24 anos. Vale ler a formulação com cuidado: a pergunta é sobre algum conhecimento, não sobre falar bem.

É comum ver esse dado citado junto de um segundo número, o de que menos de 1% dos brasileiros seria fluente. Esse número não está no relatório do British Council. Ele aparece em reportagem de 2015 atribuída a uma diretora da instituição, mas não em documento publicado, e por isso não o tratamos aqui como estatística. A ausência de um dado oficial e recente sobre proficiência real da população é, em si, parte do problema.

O que a escola mede, e o que ela não mede

O inglês é a língua estrangeira obrigatória no ensino fundamental a partir do 6o ano e no ensino médio, por força da Lei 13.415 de 2017. E o exame que fecha essa etapa é o ENEM, que teve 5.055.818 inscrições confirmadas em 2026, segundo o INEP.

O peso da língua estrangeira nesse exame costuma surpreender. Segundo o edital, a prova de Linguagens tem 45 questões, das quais 5 são de língua estrangeira, e o candidato escolhe no ato da inscrição entre inglês e espanhol, respondendo apenas às da língua escolhida. Cinco questões, todas de leitura de texto. Não há nada no exame que meça se o candidato consegue dizer uma frase em inglês.

Aí está a explicação mais simples para o formato do dado nacional. Um sistema que avalia leitura produz leitores. A pontuação de 516 em leitura e 464 em fala não é uma anomalia: é o resultado esperado de estudar para o que é cobrado. E é também por isso que os erros mais persistentes do brasileiro em inglês aparecem justamente quando ele precisa produzir, como acontece com os falsos cognatos, que passam despercebidos na leitura e traem na hora de falar.

Quanto isso custa em salário

Não existe estatística oficial brasileira sobre o prêmio salarial do inglês: nem o IBGE nem a PNAD coletam proficiência em língua estrangeira, então qualquer número sobre o tema vem de pesquisa privada. A referência mais citada é a Pesquisa Salarial da Catho, feita com 13.161 profissionais em 2017, que associou o inglês fluente a uma remuneração até 61% maior em cargos de coordenação e 56% em cargos de direção.

Esse número deve ser lido como ordem de grandeza, não como medida exata: é levantamento de um site de vagas, com base autodeclarada, e a comparação de referência varia ao longo da própria publicação. Ainda assim, a direção é consistente com o que o mercado sinaliza, e o recorte por senioridade diz algo relevante: o prêmio cresce conforme o cargo sobe, ou seja, o inglês pesa mais exatamente onde se negocia, apresenta e conversa. Justamente a habilidade em que o país marca 464.

Fechar a distância entre entender e falar
O SpeakBase treina conversação com a Kate, a tutora de voz, que explica em português quando você trava. Exatamente a habilidade em que o Brasil fica para trás.
Testar de graça
Metodologia e fontes: pontuação geral, ranking, notas por habilidade e a tabela de habilidades produtivas vêm do EF EPI 2025, edição do Brasil (publicado em 2025, 123 países, 2,2 milhões de participantes). Os participantes do EF EPI não formam amostra representativa da população: são pessoas que optaram por fazer o teste, então o índice deve ser lido como tendência comparativa, e não como medição absoluta. Os percentuais de conhecimento de inglês são do British Council Brasil e do Instituto Data Popular, Demandas de Aprendizagem de Inglês no Brasil (2014, campo em 2013). O dado de que menos de 1% seria fluente circula amplamente mas não consta desse relatório, e por isso não é usado aqui. As inscrições do ENEM 2026 e a estrutura da prova de língua estrangeira vêm do INEP e do Edital n. 64, de 21 de maio de 2026. O INEP não publica a divisão entre candidatos que escolhem inglês e espanhol, então nenhuma proporção é citada. O prêmio salarial é da 53a Pesquisa Salarial da Catho (13.161 profissionais, 2017), pesquisa privada e autodeclarada. O uso dos dados e gráficos é livre com citação da fonte: SpeakBase Pesquisa, com link para esta página.
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